Como é a ultrassonografia obstetrica

A healthcare professional performing an ultrasound on a pregnant abdomen.
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A ultrassonografia obstétrica é um procedimento de diagnóstico por imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência para visualizar o feto e as estruturas do útero durante a gravidez. Diferentemente de outras modalidades radiológicas, a ultrassonografia não envolve radiação ionizante, o que a torna uma das ferramentas mais seguras para o acompanhamento gestacional. Durante o exame, um transdutor é posicionado sobre o abdômen ou introduzido na vagina, gerando imagens em tempo real que permitem avaliar o desenvolvimento fetal, detectar possíveis anomalias e confirmar datas de gestação.

O procedimento é dividido em três trimestres, cada um com objetivos específicos: o primeiro trimestre avalia viabilidade e datação; o segundo trimestre permite análise morfológica detalhada; e o terceiro trimestre monitora o crescimento e a posição do feto. Embora seja considerada segura, a ultrassonografia obstétrica ainda requer conformidade com normas técnicas rigorosas e protocolos de qualidade para garantir resultados precisos e confiáveis.

Para clínicas e centros de diagnóstico que oferecem este serviço, a implementação de controle de qualidade e garantia da qualidade é essencial. A Seprorad oferece soluções especializadas em física médica para ultrassonografia, incluindo levantamento radiométrico e consultoria técnica, assegurando que seu equipamento funcione dentro dos padrões exigidos pela ANVISA e CNEN.

O que é a ultrassonografia obstétrica e para que serve

A ultrassonografia obstétrica é um método de diagnóstico por imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência — os chamados ultrassons — para gerar imagens em tempo real do útero, do feto e das estruturas que o envolvem. Diferentemente dos exames que empregam radiação ionizante, como raio-x e tomografia, o ultrassom baseia-se em energia acústica, o que o torna o método de escolha para acompanhar a gestação desde as primeiras semanas.

O equipamento emite pulsos sonoros por meio de um transdutor. Esses pulsos atravessam os tecidos, sofrem reflexão em diferentes interfaces (pele, músculo, osso, líquido) e retornam ao transdutor, que converte o sinal em imagem bidimensional, tridimensional ou em mapa de fluxo sanguíneo. Toda essa sequência ocorre em frações de segundo, produzindo um vídeo contínuo da anatomia fetal.

Do ponto de vista clínico, o exame serve para confirmar e datar a gestação, avaliar a vitalidade fetal, identificar gestações múltiplas, verificar a localização e a maturidade da placenta, medir o volume de líquido amniótico, rastrear anomalias estruturais e cromossômicas, monitorar o crescimento do bebê e orientar procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial. É, portanto, um instrumento central do pré-natal moderno.

Como é feita a ultrassonografia obstétrica: passo a passo do exame

A gestante é recebida no consultório ou sala de exame e posicionada na maca, geralmente em decúbito dorsal (deitada de costas). O médico sonografista aplica um gel condutor sobre a pele ou sobre o transdutor — dependendo da via utilizada — e inicia a varredura sistemática das estruturas pélvicas e fetais. As imagens aparecem em tempo real no monitor e são registradas em formato digital para compor o laudo.

Ultrassom obstétrico transvaginal: quando é indicado e como funciona

Na via transvaginal, o transdutor tem formato alongado e é introduzido delicadamente no canal vaginal após receber uma capa protetora estéril e gel lubrificante. Por estar mais próximo das estruturas pélvicas, produz imagens de resolução superior à via abdominal, especialmente no início da gestação, quando o útero ainda é pequeno e o embrião tem poucos milímetros.

Essa via é indicada principalmente entre a 6ª e a 12ª semana, quando se busca confirmar a viabilidade embrionária, medir o comprimento cabeça-nádega (CCN), identificar a atividade cardíaca e avaliar o colo uterino. Também é empregada em casos de sangramento no primeiro trimestre, suspeita de gravidez ectópica e monitoramento de colo curto ao longo da gestação. O procedimento não oferece risco ao embrião nem ao feto.

Ultrassom obstétrico transabdominal: como é realizado

Na via transabdominal, o gel condutor é aplicado diretamente sobre o abdome e o transdutor desliza pela superfície da pele em diferentes ângulos e planos. É a via padrão a partir do segundo trimestre, quando o útero já ocupa posição abdominal e o feto tem dimensões suficientes para ser avaliado com boa resolução.

O médico percorre sistematicamente a anatomia fetal — crânio, face, coluna, coração, abdome, membros e genitália — além de avaliar placenta, cordão umbilical e líquido amniótico. A duração varia conforme a complexidade do exame solicitado e a cooperação do feto.

Quanto tempo dura o exame e o que a gestante sente durante o procedimento

Um ultrassom obstétrico simples de primeiro trimestre dura entre 15 e 25 minutos. Exames morfológicos detalhados do segundo trimestre podem se estender por 30 a 50 minutos, especialmente quando o feto não está em posição favorável ou quando há necessidade de avaliação cardíaca mais minuciosa. Com Doppler colorido associado, o tempo aumenta ligeiramente.

A sensação durante o exame é, na maioria das vezes, completamente indolor. O gel pode causar leve desconforto por ser frio, mas equipamentos modernos já contam com aquecedores de gel. Na via transvaginal, algumas mulheres relatam pressão pélvica leve, mas dor intensa não é esperada — se ocorrer, deve ser comunicada imediatamente ao médico. Não há calor, vibração perceptível nem qualquer sensação associada às ondas sonoras.

Preparo necessário antes da ultrassonografia obstétrica

O preparo varia conforme a via de acesso e a semana gestacional. Seguir corretamente as orientações aumenta a qualidade das imagens e evita a necessidade de repetição do exame.

Precisa estar com a bexiga cheia? Entenda quando sim e quando não

A bexiga cheia cria uma “janela acústica” que desloca alças intestinais e melhora a visualização do útero na via transabdominal do primeiro trimestre. Por isso, para ultrassons realizados entre a 6ª e a 14ª semana pela via abdominal, a orientação habitual é ingerir cerca de 500 a 600 mL de água uma hora antes e não urinar até o fim do exame.

A partir do segundo trimestre, o útero já é grande o suficiente para ser visualizado sem essa estratégia, e a bexiga cheia passa a ser desnecessária — e até incômoda. Para exames transvaginais, a bexiga deve estar vazia, pois o excesso de urina empurra o útero para longe do transdutor. Sempre verifique as instruções específicas do serviço onde realizará o exame, pois podem variar.

Outros cuidados antes do exame: jejum, roupas e documentos

A ultrassonografia obstétrica não exige jejum. Alimentar-se normalmente antes do exame é permitido e, em alguns casos, até recomendado para estimular a movimentação fetal. Roupas confortáveis e de fácil acesso ao abdome facilitam o procedimento — calças de cintura baixa ou elástica são ideais.

Leve sempre o cartão de pré-natal, os pedidos médicos anteriores, os laudos de ultrassons já realizados e, se houver, exames laboratoriais recentes. Essas informações permitem ao médico contextualizar os achados e comparar medidas de exames anteriores, o que é essencial para avaliar crescimento fetal.

Tipos de ultrassonografia obstétrica e suas diferenças

Ao longo dos nove meses de gestação, diferentes modalidades de ultrassom são solicitadas conforme os objetivos clínicos de cada trimestre. Cada uma avalia aspectos específicos do desenvolvimento fetal e da saúde materna.

Ultrassom obstétrico do 1º trimestre: translucência nucal e morfologia precoce

Realizado idealmente entre a 11ª e a 13ª semana e 6 dias, este exame combina a medida da translucência nucal (TN) — uma coleção de fluido na nuca do feto — com a avaliação do osso nasal, ducto venoso e regurgitação tricúspide. Esses marcadores, associados à idade materna e a exames de sangue (rastreamento combinado), calculam o risco de síndrome de Down e outras aneuploidias.

Além do rastreamento cromossômico, o exame avalia anatomia fetal precoce, localização e morfologia do trofoblasto, comprimento do colo uterino e presença de miomas ou outras alterações uterinas.

Ultrassom obstétrico do 2º trimestre: morfologia fetal detalhada

O ultrassom morfológico do segundo trimestre é realizado entre a 20ª e a 24ª semana. É o exame mais completo da gestação: avalia sistematicamente cada estrutura fetal — sistema nervoso central, face, coração (com cortes padronizados de quatro câmaras, vias de saída e arco aórtico), pulmões, diafragma, parede abdominal, rins, bexiga, genitália, coluna e membros.

Também mensura o comprimento do colo uterino para rastreamento de parto prematuro e avalia inserção e morfologia placentária. É neste exame que a maioria dos defeitos estruturais maiores pode ser identificada com maior acurácia.

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Ultrassom obstétrico do 3º trimestre: crescimento e bem-estar fetal

Entre a 30ª e a 34ª semana, o foco muda para o crescimento fetal e o bem-estar. O médico mede diâmetro biparietal, circunferência cefálica, circunferência abdominal e comprimento do fêmur para estimar o peso fetal e identificar restrição de crescimento intrauterino (RCIU) ou macrossomia. Avalia também o índice de líquido amniótico (ILA), a maturidade placentária e a apresentação fetal (cefálica, pélvica ou transversa).

Ultrassonografia obstétrica com Doppler colorido: o que avalia e quando é pedida

O Doppler colorido mapeia o fluxo sanguíneo em vasos específicos — artérias uterinas, artéria umbilical, artéria cerebral média e ducto venoso. Permite detectar resistência vascular aumentada, que pode indicar pré-eclâmpsia, insuficiência placentária ou comprometimento fetal. É solicitado em gestações de risco, suspeita de RCIU, hipertensão gestacional ou quando há alteração nos exames anteriores. Pode ser incorporado ao exame morfológico ou realizado de forma independente.

O que é avaliado durante a ultrassonografia obstétrica

Batimentos cardíacos fetais, posição, placenta e líquido amniótico

A frequência cardíaca fetal normal situa-se entre 110 e 160 batimentos por minuto. Bradicardia ou taquicardia persistentes são sinais de alerta. A posição fetal (apresentação) é relevante especialmente no terceiro trimestre para planejamento do parto. A placenta é avaliada quanto à localização (fúndica, anterior, posterior, lateral ou prévia), espessura e grau de maturidade (classificação de Grannum, de 0 a III). O líquido amniótico é quantificado pelo ILA ou pela medida do maior bolsão vertical, sendo que valores muito baixos (oligoidrâmnio) ou muito altos (polidrâmnio) indicam investigação adicional.

Idade gestacional, crescimento e peso estimado do bebê

A datação gestacional é mais precisa quando realizada no primeiro trimestre, com base no CCN. No segundo e terceiro trimestres, as medidas biométricas (biparital, circunferência cefálica, circunferência abdominal e fêmur) são inseridas em fórmulas validadas — como a de Hadlock — para estimar o peso fetal. A comparação com curvas de crescimento populacionais (Intergrowth-21 ou IBGE) permite classificar o feto como adequado, pequeno ou grande para a idade gestacional.

Detecção de anomalias e marcadores cromossômicos

Além da translucência nucal do primeiro trimestre, o ultrassom morfológico do segundo trimestre pode identificar marcadores “soft” de aneuploidia, como pielectasia renal, foco ecogênico intracardíaco, intestino hiperecogênico e encurtamento de ossos longos. Anomalias estruturais maiores — como cardiopatias congênitas, onfalocele, gastrosquise, agenesia renal, anencefalia e espinha bífida — também são rastreadas neste exame.

Quantos ultrassons são recomendados durante o pré-natal e em que semanas

O Ministério da Saúde recomenda, no mínimo, três ultrassons ao longo do pré-natal de baixo risco: um no primeiro trimestre (idealmente entre 11 e 14 semanas), um morfológico no segundo trimestre (entre 20 e 24 semanas) e um no terceiro trimestre (entre 30 e 34 semanas). Gestações de alto risco — gemelaridade, diabetes gestacional, hipertensão, RCIU, histórico de anomalias — exigem monitoramento ultrassonográfico mais frequente, a critério do obstetra.

Exames adicionais com Doppler, ecocardiografia fetal (realizada entre 24 e 28 semanas por cardiologista pediátrico) e perfil biofísico fetal podem ser solicitados conforme a evolução clínica. Não existe número máximo estabelecido de ultrassons por gestação; a indicação é sempre clínica.

A ultrassonografia obstétrica oferece algum risco para a mãe ou para o bebê

Décadas de uso clínico e milhares de estudos não demonstraram efeitos biológicos adversos associados ao ultrassom diagnóstico quando utilizado dentro dos parâmetros recomendados pelas sociedades médicas internacionais (AIUM, ISUOG, WFUMB). O exame não utiliza radiação ionizante — ao contrário de raio-x e tomografia computadorizada — e, portanto, não apresenta os riscos associados à exposição a doses de radiação. Para entender melhor por que essa distinção importa, vale conhecer o conceito de dose efetiva na radiologia e como ele se aplica aos exames que de fato envolvem radiação ionizante.

O princípio ALARA (tão baixo quanto razoavelmente possível), amplamente aplicado em radioproteção, é transposto para o ultrassom como o princípio “tão baixo quanto razoavelmente possível” de exposição acústica. Isso significa que o exame deve ser realizado pelo menor tempo necessário, com a menor intensidade que ainda produza imagens diagnósticas adequadas, e sempre com indicação clínica — não por curiosidade ou entretenimento.

Cobertura pelo plano de saúde e pelo SUS: o que diz a ANS

A Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) estabelece o rol mínimo de procedimentos que os planos de saúde são obrigados a cobrir. A ultrassonografia obstétrica — incluindo as modalidades de primeiro, segundo e terceiro trimestres e o Doppler obstétrico — está contemplada nesse rol, o que obriga os planos a cobrirem os exames quando há indicação médica documentada.

No SUS, os exames fazem parte do protocolo de pré-natal da Rede Cegonha e devem ser ofertados gratuitamente nas unidades de saúde credenciadas. Na prática, a disponibilidade varia conforme a região e a demanda local. Gestantes em acompanhamento pelo SUS devem solicitar os exames na unidade básica de saúde de referência, que fará o encaminhamento para o serviço de imagem conveniado.

Quem pode realizar a ultrassonografia obstétrica: médico, enfermeiro ou técnico?

No Brasil, a realização e a interpretação da ultrassonografia obstétrica são atribuições exclusivas do médico, conforme resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM). O médico responsável deve ter habilitação específica em ultrassonografia, concedida por sociedades médicas reconhecidas, como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) ou a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Técnicos em radiologia e enfermeiros obstetras não estão autorizados a realizar ou laudar ultrassons obstétricos de forma autônoma. Serviços que oferecem o exame devem contar com médico presente durante toda a realização, não apenas para assinar laudos a posteriori. Clínicas e centros de diagnóstico por imagem que realizam ultrassonografia precisam manter documentação técnica atualizada junto aos órgãos reguladores — assim como os serviços que utilizam equipamentos geradores de radiação ionizante precisam de um Programa de Proteção Radiológica (PPR) devidamente estruturado para garantir conformidade regulatória.

FAQ

A ultrassonografia obstétrica dói?

Na via transabdominal, o exame é indolor. Na via transvaginal, pode haver leve pressão pélvica, mas dor intensa não é esperada. Se ocorrer desconforto significativo, informe o médico imediatamente para que o procedimento seja ajustado.

Qual a diferença entre ultrassom obstétrico e morfológico?

“Ultrassom obstétrico” é o termo genérico para qualquer exame ultrassonográfico realizado durante a gestação. O “ultrassom morfológico” é uma modalidade específica, realizada entre 20 e 24 semanas, com protocolo padronizado de avaliação detalhada da anatomia fetal. Todo morfológico é um ultrassom obstétrico, mas nem todo ultrassom obstétrico é morfológico.

Com quantas semanas já dá para ver o bebê no ultrassom?

A vesícula gestacional pode ser visualizada por via transvaginal a partir de 4 semanas e meia a 5 semanas. O embrião com atividade cardíaca detectável aparece geralmente entre 6 e 7 semanas. Pela via abdominal, a visualização confiável costuma ocorrer a partir de 7 a 8 semanas.

O ultrassom obstétrico revela o sexo do bebê? A partir de quando?

Sim. A genitália fetal pode ser identificada com razoável confiabilidade a partir de 16 semanas pela via abdominal, e com maior precisão entre 18 e 20 semanas. A acurácia depende da posição fetal, da qualidade do equipamento e da experiência do médico. Antes de 14 semanas, a identificação é pouco confiável.

Posso fazer ultrassom obstétrico sem pedido médico?

Tecnicamente, muitos serviços privados realizam o exame sem pedido médico mediante pagamento particular. No entanto, a recomendação é sempre ter indicação médica, pois o resultado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico da gestação. Sem acompanhamento médico, achados relevantes podem ser mal interpretados ou ignorados.

Quanto tempo leva para sair o resultado da ultrassonografia obstétrica?

Em serviços que entregam o laudo no mesmo dia, o resultado fica pronto em 30 minutos a 2 horas após o exame. Em centros com laudagem centralizada ou telerradiologia, o prazo pode ser de 24 a 48 horas úteis. Exames com achados complexos podem demandar revisão por especialistas, estendendo o prazo.

O gel usado no ultrassom faz mal ao bebê?

Não. O gel condutor é aplicado sobre a pele materna ou sobre o transdutor e não entra em contato com o feto. É formulado à base de água, hipoalergênico, sem substâncias tóxicas e não apresenta nenhum risco para a mãe ou para o bebê. Após o exame, é facilmente removido com papel ou toalha.

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